Wednesday, April 29, 2009
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Friday, April 17, 2009
Brazil + Che - O Argentino
Amanhã, Sábado, pelas 14h00 (e repete Domingo às 13h00), vai para o ar mais uma emissão do 'Café Bagdad'.
Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9).
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Tuesday, April 14, 2009
A mulher sem cabeça
Partindo deste argumento mínimo, Lucrecia Martel regressa aos seus temas de sempre: a alienação, o tédio, a rotina de uma certa classe média/alta argentina. Daí se convocar por vezes Antonioni a propósito da realizadora sul-americana.
Mas só num sentido muito lato a filiação faz sentido, pois o universo de Lucrecia Martel é pessoalíssimo e inconfundível. Embora ao terceiro filme mostre sinais de algum esgotamento. ‘A mulher sem cabeça’ é uma variação de ‘O pântano’ sem o efeito surpresa que este provocava no espectador, e não obstante os seus méritos (desde logo a realizadora filma muitíssimo bem – vejam-se os planos pouco convencionais; ou o som sempre em ‘primeiro plano’) eu senti algum cansaço ao ver o filme, uma sensação de déjà vu que se sobrepôs a tudo o resto.
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Tuesday, April 07, 2009
Vicky Cristina Barcelona (2)
Eu acho que Woody Allen se deve ter divertido bastante a criar esta personagem estereotipada, que é uma espécie de McGuffin: permite complicar e impossibilitar as relações amorosas entre Bardem/Juan Antonio e Vicky e Cristina, as que verdadeiramente interessam a Woody.
Volto a isto após a revisão do filme, aquele de que mais gostei do que leva até agora 2009, porque aquando do meu primeiro post estas duas meninas chamaram-me simpaticamente de maluco para cima (ou para baixo) por ter menorizado Maria Elena e Penelope. De certa forma mantenho a opinião, mas espero ter-me explicado melhor desta vez.
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Thursday, April 02, 2009
Filmes de Março
Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.

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Sunday, March 29, 2009
Um dia de cada vez
Em 'Happy-Go-Lucky' a fuga ao seu universo da working class inglesa não é tão radical: é certo que nos movemos por entre a classe média (a protagonista é uma professora primária) e que estamos certamente perante uma comédia (muito divertida), mas o olhar analítico e muito humano do realizador mantém-se focado nas suas personagens com uma lente poderosa e próxima.
Poppy é uma optimista profissional, que não deixa que nada nem ninguém estrague a sua disposição. Se inicialmente nos parece irritante e algo tonta, depressa percebemos que é inteligente, sensível e arreigadamente convicta das suas opções: levar o melhor possível a sua vida, sempre com um olhar positivo e uma saudável despreocupação perante as 'responsabilidades'. Quando a irmã mais nova, já casada e grávida, lhe diz que ela tem que deixar de andar em noitadas, assentar, pensar no futuro, fazer planos a médio prazo, Poppy responde-lhe alegremente: 'planos quinquenais como o Stalin?'.
Mas não é só a irmã a sentir-se perturbada com a sua liberdade e independência: o seu instrutor de condução, um homem frustrado, racista, paranóico, solitário, que Poppy trata com a boa disposição habitual, acaba por confundir tudo, acabando por descarregar sobre ela todas as suas frustrações, não conseguindo digerir a saudável anarquia que aquela mulher traz à sua vida medíocre e rotineira.
Mike Leigh quando não se deixa enredar em demasia em argumentos cheios de boas intenções e preocupações sociais, que por vezes o asfixiam, é um óptimo realizador e excelente director de actores, e aqui mostra-se ao seu nível máximo: a Poppy de Sally Hawkins é uma personagem tão inesquecível como a de David Thewlis em 'Naked', e 'Happy-Go-Lucky' tem entrada directa na galeria dos melhores filmes do realizador inglês.
Happy-Go-Lucky, Grã-Bretanha, 2008. Realização: Mike Leigh. Com: Sally Hawkins, Eddie Marsan, Alexis Zegerman, Samuel Roukin, Andrea Riseborough.
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Monday, March 23, 2009
Che - O Argentino
Mais interessante, parece-me, é o retrato apenas esboçado, que vai surgindo em fundo, de Fidel, o líder incontestado, respeitado mas temido, que não hesita em despromover o já famoso Che (a quem os populares pedem autógrafos) quando este falha uma operação. Em três ou quatro cenas ficamos a conhecer melhor a sua personalidade (ou a visão que dela tem Soderbergh) do que nas inúmeras cenas passadas nos montes ficamos a conhecer Che para lá do que é a sua imagem pública.
De resto SoderbergH não sabe filmar mal e o naipe de actores é muito bom, mas este monocromatismo do retrato, aliado a uma interminável profusão de cenas repetitivas, retratando o dia a dia da guerrilha pelos montes, tornam esta primeira parte do filme algo maçadora. Embora não o suficiente para me retirar a vontade de ver a segunda, que estreará daqui a duas semanas.
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Friday, March 20, 2009
Café Bagdad
Amanhã, Sábado, pelas 13h00 (e repete Domingo à mesma hora), vai para o ar mais uma emissão do 'Café Bagdad'.
O Adriano Faria estreia-se nestas lides (substituindo a Patrícia, ausente por uns tempos no estrangeiro), e a Marta Catarino, o Pedro Peixoto Costa (na moderação) e eu próprio completamos a equipa habitual.
Na Rádio Clube do Minho (Braga, 92.9).
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Friday, March 13, 2009
Gran Torino
Tal como a miúda asiática sua vizinha, também nós valorizamos mais os pequenos gestos que ele vai tendo (nem sempre com motivações claras) que todos os defeitos apontados. Não conseguimos antipatizar com ele, em suma. Tal como o Padre do bairro (‘um virgem de 27 anos sobre-educado’), também nós cedo percebemos que por trás daquela carapaça dura e irascível está um homem à espera da redenção.
E ela virá, sem grandes subtilezas, que Eastwood não é homem para isso. Tal como nos Westerns, o meio que formou Eastwood, também aqui só há lugar para ambiguidade no lado do herói. De resto há os bons e os maus, ponto final.
É tentador falar dum Dirty Harry envelhecido, mas não estou a ver Dirty Harry com um peso na consciência perante as mortes que tem na sua conta. Walt Kowalski é um outro homem.
Eastwood, esse, continua a dar-nos grandes filmes regularmente (sem pretender entrar na onda de canonização acrítica que sobre ele caiu – ainda não vi ‘A troca’, mas ‘Flags of Our Fathers’ por exemplo, desiludiu-me bastante), e quando alia a sua mestria (tem que se usar a palavra) atrás e à frente da câmara, melhor ainda. E então quando canta no genérico final, da forma que o faz aqui (conferir abaixo, s.f.f.), quase que tenho vontade de chorar. Este homem é insubstituível.
Gran Torino, E.U.A./Austrália, 2008. Realização: Clint Eastwood. Com: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang, Ahney Her, Brian Haley, Geraldine Hughes, John Carroll Lynch.
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Tuesday, March 10, 2009
O Complexo Baader Meinhof
‘O Complexo Baader-Meinhof’ esboça um quadro das actividades do grupo terrorista alemão de extrema-esquerda RAF – mais conhecido por Baader-Meinhof – nas décadas quentes de 60 e 70.
O veterano realizador Uli Edel parte do retrato particular para alcançar uma perspectiva mais lata. E quem não sai nada bem no retrato é o carismático líder do grupo, Andreas Baader, apresentado como impulsivo, leviano e, por trás dos seus discursos sobre a emancipação da mulher e o amor livre, profundamente machista (sempre que algo corre mal, descarrega numa das várias mulheres do grupo). Mais simpatias do realizador colhe Ulrike Meinhof, uma mulher mais velha e aquela que tinha mais a perder com a entrada para a clandestinidade: à altura já era uma jornalista conceituada e tinha duas filhas pequenas (que abandonou para aderir às RAF). Era a única intelectual do grupo e tentou dar algum cimento ideológico às suas acções, bem como uma maior organização e ponderação. Talvez por isso foi sendo progressivamente olhada de lado dentro do grupo, nomeadamente pela fanática Gudrun Ensslin, a namorada de Andreas Baader, e foi a primeira a suicidar-se após a prisão.
Uli Edel contextualiza o sucesso e até popularidade do grupo – houve uma altura em que um quarto dos alemães com menos de 30 anos apoiava os seus actos terroristas – no quadro dos ares do tempo. Era a altura das lutas estudantis contra o Estado, das manifestações contra a guerra do Vietname, e também da revolução sexual e da emancipação feminina. Neste caldo ‘anti-burguês’ e 'anti-capitalista' era fácil arranjar apoiantes e simpatias para a causa armada. Vemos também a dificuldade da polícia em lidar com este fenómeno, e a sua progressiva especialização e dureza até conseguir desmantelar o grupo. E as ligações do Baader-Meinhof aos grupos árabes pro-Palestina, uma ligação condenada à partida (as alemãs das RAF pavoneavam-se nuas nos campos de treino Jordanos, sobre o olhar incrédulo dos guerrilheiros árabes...) e que acabou por ser fatal para a organização terrorista alemã – aquando do espectacular desvio dum avião da Lufthansa para a Somália, em que as RAF exigiram a libertação dos seus dirigentes presos como condição para terminarem o sequestro, nenhum país árabe aceitou acolhe-los o que contribuiu para a operação ser um enorme fiasco, que terá levado mesmo ao suicídio na cadeia dos seus dirigentes que deixaram de acreditar definitivamente nas suas hipóteses de sucesso.
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Friday, March 06, 2009
Os guardiões
A acção passa-se num mundo em que os E.U.A. ganharam a guerra do Vietname, Nixon vai no seu 3º mandato e está-se à beira de um choque nuclear entre os States e a URSS.
A esperança americana de impedir o ataque nuclear reside no homem que já lhes deu a vitória no Vietname: o Dr. Manhattan, um físico nuclear que sofreu um acidente que lhe deu super-poderes e uma considerável veia metafísica. Ficou azul, anda nu ou com uma tanga, e foi-se afastando cada vez mais da humanidade, preferindo refugiar-se em Marte e mandando uns seus avatares fazer sexo com a namorada.
Entretanto há também os guardiões: uns mascarados que em tempo usavam meios pouco ortodoxos para combater o crime, até Nixon acabar com os seus serviços. O assassínio de um deles traz os restantes de volta à acção: um deles recupera o seu veículo da cave e veste o seu traje à Batman; uma outra desempoeira o seu fatinho de Barbie; e um terceiro, que nunca tirou a máscara, comanda as coisas com tiques de psicopata (o excelente Jackie Earle Haley, que se destaca num elenco coeso e sem vedetas). Enfim, estamos a tratar mais com nerds do que com super-heróis.
Posto isto diga-se que as angústias existenciais do Dr.Manhattan contagiam todo o filme: há mais paleio sobre a humanidade, a ameaça nuclear, o fim do sonho americano, o sentido de tudo isto enfim, do que cenas de acção ou de pancadaria (embora haja algumas bastante cruéis). Fossem estas mais de duas horas e meia de meditação sombria sobre o homem, com um ritmo algo perro, realizadas por algum realizador ‘pseudo-intelectual’, como dizem os comentadores do Cinema 2000, e estava o caldo entornado. Mas como vêm embrulhadas em BD e cinema ‘popular’ ainda se torna um blockbuster (embora não me cheire muito).
Eu gostava de dizer que isto primeiro se estranha e depois se entranha, mas a verdade é que nunca se entranhou. Não sei se por culpa da matéria original, se por culpa do realizador Zack Snyder (se bem que este terá sempre culpas no cartório - a banda sonora, por exemplo, um best of que vai de Simon & Garfunkel a Leonard Coen não ajuda), ‘Os guardiões’ pareceu-me um bocado como aqueles brinquedos caros e sofisticados (tipo uma Playstation), de que alguns adultos fazem alarde. Mas que não deixam de ser um brinquedo. Uma coisa para teens, mais que para adultos, não obstante as suas pretensões.
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Wednesday, March 04, 2009
O Wrestler
O propósito tem algo de generoso e algo de obsceno. Aronofsky fá-lo num tom não só hiper-realista, como carregando nas tintas todas. Rourke ganhou as suas cicatrizes e uma cara desfigurada no boxe, mas Aronofsky resolveu deslocar a sua personagem para o grotesco mundo do wrestling, esse verdadeiro monumento à estupidez.
Na primeira meia hora do filme assistimos ao derramar de sangue, vindo de pontapés, quedas, agrafadelas, cortes, pancadaria com mesas e cadeiras, golpes de toda a espécie, e não é nada bonito de ver. Aronofsky não quer que tenhamos dúvidas nenhumas de onde chegou a ex-estrela do wrestling e pôe-a a viver naquele mundo white trash que só existe nos E.U.A., morando num parque de roulottes, procurando algum calor humano junto a uma filha que o rejeita e a uma stripper (excelentíssima Marisa Tomei) que por vezes se sente embaraçada com ele.
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Monday, March 02, 2009
João César Monteiro
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Filmes de Fevereiro
Como é habitual, a seguir listo os filmes que vi ou revi no mês que passou. Classificação de 0 a 10.

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Thursday, February 26, 2009
O termo 'desconstrução'
John Carpenter, em entrevista a Luc Lagier e Jean-Baptiste Thoret.
Mal começo a ler o catálogo da cinemateca dedicado a Carpenter, deparo-me logo com esta pérola que imediatamente me fez lembrar esta de D.Luis. Nem de propósito, na resposta seguinte, Carpenter declara Bunuel como um dos seus cineastas preferidos. Não há que enganar.
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